CESGRANRIO — Administração e Controle — Pontuação — 2010

Enunciado

Árvores de araque — Você está vendo alguma coisa esquisita nessa paisagem? — perguntou o meu amigo Fred Meyer. Olhei em torno. Estávamos no jardim da residência da Embaixada do Brasil no Marrocos, onde ele vive — é o nosso embaixador no país —, cercados de tamareiras, palmeiras(a) e outras árvores de diferentes tipos. Um casal de pavões se pavoneava pelo gramado, uma dezena de galinhas d’angola(b) ciscava no chão, passarinhos iam e vinham. No terraço da casa ao lado, onde funciona a Embaixada da Rússia, havia um mar de parabólicas, que devem captar até os suspiros das autoridades locais. Lá longe, na distância, mais tamareiras e palmeiras espetadas contra um céu azul de doer. Tudo me parecia normal. — Olha aquela palmeira alta lá na frente. Olhei. Era alta mesmo, a maior de todas. Tinha um ninho de cegonhas no alto. — Não é palmeira. É uma torre de celular disfarçada. Fiquei besta. Depois de conhecer sua real identidade, não havia mais como confundi-la com as demais; mas enquanto eu não soube o que era, não me chamara a atenção(c). Passei os vinte dias seguintes me divertindo em buscar antenas disfarçadas na paisagem. Fiz dezenas de fotos delas, e postei no Facebook(d), onde causaram sensação. A maioria dos meus amigos nunca tinha visto isso; outros já conheciam de longa data, e mencionaram até espécimes plantados no Brasil. Alguns, como Luísa Cortesão, velha amiga portuguesa(e) que acompanho desde os tempos do Fotolog, têm posição radicalmente formada a seu respeito: odeiam. Parece que Portugal está cheio de falsas coníferas. [...] A moda das antenas disfarçadas em palmeiras começou em 1996, quando a primeira da espécie foi plantada em Cape Town, na África do Sul; mas a invenção é, como não podia deixar de ser, Made in USA. Lá, uma empresa sediada em Tucson, Arizona, chamada Larson Camouflage, projetou e desenvolveu a primeiríssima antena metida a árvore do mundo, um pinheiro que foi ao ar em 1992. A Larson já tinha experiência, se não no conceito, pelo menos no ramo: começou criando paisagens artificiais e camuflagens para áreas e equipamentos de serviço. Hoje existem inúmeras empresas especializadas em disfarçar antenas de telecomunicações pelo mundo afora, e uma quantidade de disfarces diferentes. É um negócio próspero num mundo que quer, ao mesmo tempo, boa conexão e paisagem bonita, duas propostas mais ou menos incompatíveis. Os custos são elevados: um disfarce de palmeira para torre de telecomunicações pode sair por até US$ 150 mil, mas há fantasias para todos os bolsos, de silos e caixas d’água à la Velho Oeste a campanários, mastros, cruzes, cactos, esculturas. A Verizon se deu ao trabalho de construir uma casa cenográfica inteira numa zona residencial histórica em Arlington, Virgínia, para não ferir a paisagem com caixas de switches e cabos. A antena ficou plantada no quintal, pintada de verde na base e de azul no alto; mas no terreno em frente há um jardim sempre conservado no maior capricho e, volta e meia, entregadores desavisados deixam jornais e revistas na porta. A brincadeira custou cerca de US$ 1,5 milhão. A vizinhança, de início revoltada com a ideia de ter uma antena enfeiando a área, já se acostumou com a falsa residência, e até elogia a operadora pela boa manutenção do jardim. RONAI, C. O Globo, Economia, p. 33, 22 mar. 2014. Adaptado. Vocabulário: de araque - expressão idiomática que signifi ca “falso”. No seguinte trecho do texto, a vírgula pode ser retirada mantendo-se o sentido e assegurando-se a normapadrão:

Alternativas

  1. A)

    “cercados de tamareiras, palmeiras”

  2. B)

    “gramado, uma dezena de galinhas d’angola”

  3. C)

    “o que era, não me chamara a atenção”

  4. D)

    “fotos delas, e postei no Facebook”

  5. E)

    “Luísa Cortesão, velha amiga portuguesa”

Gabarito e comentário

Resposta correta: D

Olá, futuros aprovados! Vamos analisar essa questão de pontuação, um tema recorrente em concursos. **1. Por que a alternativa D está correta:** Na frase "fotos delas, e postei no Facebook", a vírgula antes do "e" é facultativa. O "e" aqui está conectando duas orações com sujeitos iguais (eu fiz fotos, e eu postei). Nesses casos, a vírgula pode ser usada para dar ênfase ou indicar uma pausa, mas sua retirada não altera o sentido nem fere a norma-padrão. **2. Por que as demais estão erradas (brevemente):** * **a) "cercados de tamareiras, palmeiras"**: A vírgula separa elementos de uma enumeração. Essencial para o sentido e a clareza. * **b) "gramado, uma dezena de galinhas d’angola"**: A vírgula separa uma oração principal de um aposto (explicação sobre o que estava no gramado). Indispensável. * **c) "o que era, não me chamara a atenção"**: A vírgula separa uma oração subordinada substantiva subjetiva ("o que era") de sua oração principal. Obrigatória. * **e) "Luísa Cortesão, velha amiga portuguesa"**: A vírgula isola um aposto explicativo ("velha amiga portuguesa") que identifica Luísa Cortesão. Sua retirada alteraria o sentido, transformando "velha amiga portuguesa" em um adjunto adnominal restritivo. Entender a

Questões relacionadas