CESGRANRIO — Sem especialidade — Concordância Verbal e Nominal — 2014

Enunciado

Árvores de araque — Você está vendo alguma coisa esquisita nessa paisagem? — perguntou o meu amigo Fred Meyer. Olhei em torno. Estávamos no jardim da residência da Embaixada do Brasil no Marrocos, onde ele vive — é o nosso embaixador no país —, cercados de tamareiras, palmeiras e outras árvores de diferentes tipos. Um casal de pavões se pavoneava pelo gramado, uma dezena de galinhas d’angola ciscava no chão, passarinhos iam e vinham. No terraço da casa ao lado, onde funciona a Embaixada da Rússia, havia um mar de parabólicas, que devem captar até os suspiros das autoridades locais. Lá longe, na distância, mais tamareiras e palmeiras espetadas contra um céu azul de doer. Tudo me parecia normal. — Olha aquela palmeira alta lá na frente. Olhei. Era alta mesmo, a maior de todas. Tinha um ninho de cegonhas no alto. — Não é palmeira. É uma torre de celular disfarçada. Fiquei besta. Depois de conhecer sua real identidade, não havia mais como confundi-la com as demais; mas enquanto eu não soube o que era, não me chamara a atenção. Passei os vinte dias seguintes me divertindo em buscar antenas disfarçadas na paisagem. Fiz dezenas de fotos delas, e postei no Facebook, onde causaram sensação. A maioria dos meus amigos nunca tinha visto isso; outros já conheciam de longa data, e mencionaram até espécimes plantados no Brasil. Alguns, como Luísa Cortesão, velha amiga portuguesa que acompanho desde os tempos do Fotolog, têm posição radicalmente formada a seu respeito: odeiam. Parece que Portugal está cheio de falsas coníferas. [...] A moda das antenas disfarçadas em palmeiras começou em 1996, quando a primeira da espécie foi plantada em Cape Town, na África do Sul; mas a invenção é, como não podia deixar de ser, Made in USA. Lá, uma empresa sediada em Tucson, Arizona, chamada Larson Camouflage, projetou e desenvolveu a primeiríssima antena metida a árvore do mundo, um pinheiro que foi ao ar em 1992. A Larson já tinha experiência, se não no conceito, pelo menos no ramo: começou criando paisagens artificiais e camuflagens para áreas e equipamentos de serviço. Hoje existem inúmeras empresas especializadas em disfarçar antenas de telecomunicações pelo mundo afora, e uma quantidade de disfarces diferentes. É um negócio próspero num mundo que quer, ao mesmo tempo, boa conexão e paisagem bonita, duas propostas mais ou menos incompatíveis. Os custos são elevados: um disfarce de palmeira para torre de telecomunicações pode sair por até US$ 150 mil, mas há fantasias para todos os bolsos, de silos e caixas d’água à la Velho Oeste a campanários, mastros, cruzes, cactos, esculturas. A Verizon se deu ao trabalho de construir uma casa cenográfica inteira numa zona residencial histórica em Arlington, Virgínia, para não ferir a paisagem com caixas de switches e cabos. A antena ficou plantada no quintal, pintada de verde na base e de azul no alto; mas no terreno em frente há um jardim sempre conservado no maior capricho e, volta e meia, entregadores desavisados deixam jornais e revistas na porta. A brincadeira custou cerca de US$ 1,5 milhão. A vizinhança, de início revoltada com a ideia de ter uma antena enfeiando a área, já se acostumou com a falsa residência, e até elogia a operadora pela boa manutenção do jardim. RONAI, C. O Globo, Economia, p. 33, 22 mar. 2014. Adaptado. Vocabulário: de araque - expressão idiomática que signifi ca “falso”. O período cujo verbo em destaque está usado de modo adequado à norma-padrão é:

Alternativas

  1. A)

    Haviam muitas antenas naquela paisagem.

  2. B)

    Existe, nos tempos de hoje, tecnologias impressionantes.

  3. C)

    Chegou, depois de muito tempo de espera, meios para disfarçar antenas.

  4. D)

    Somente 4% das pessoas reconhece as antenas para celular disfarçadas.

  5. E)

    Surgem, a todo momento, invenções que não pensávamos ser possíveis.

Gabarito e comentário

Resposta correta: E

Olá, futuros servidores! Vamos analisar essa questão de concordância verbal, um tema clássico em concursos. **1. Por que a alternativa E está correta?** Na alternativa **(E) "Surgem, a todo momento, invenções que não pensávamos ser possíveis."**, o verbo "Surgem" concorda corretamente com o sujeito "invenções" (plural). O núcleo do sujeito é "invenções", que está no plural, exigindo o verbo também no plural. **2. Por que as demais estão erradas (brevemente)?** * **(A) "Haviam muitas antenas naquela paisagem."**: O verbo "haver" no sentido de "existir" é impessoal, ou seja, não possui sujeito e deve permanecer na 3ª pessoa do singular ("Havia"). * **(B) "Existe, nos tempos de hoje, tecnologias impressionantes."**: O sujeito é "tecnologias impressionantes" (plural), então o verbo deveria ser "Existem". * **(C) "Chegou, depois de muito tempo de espera, meios para disfarçar antenas."**: O sujeito é "meios para disfarçar antenas" (plural), portanto o verbo deveria ser "Chegaram". * **(D) "Somente 4% das pessoas reconhece as antenas para celular disfarçadas."**: Com porcentagens, a concordância pode ser com o numeral ("4% reconhecem") ou com o termo que o especifica ("pessoas reconhecem"). Ambas as formas seriam mais adequadas que "reconhece". Foco na identificação

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