FGV — Juiz Federal — Sistema Financeiro Nacional — 2026

Enunciado

Em ação ajuizada em face do Banco Central do Brasil na Justiça Federal, o autor questiona, cumulativamente, a ilegalidade da decisão motivadora do encerramento da liquidação extrajudicial de instituição financeira privada, bem como a destinação do acervo remanescente da instituição. O juiz considerou os argumentos improcedentes porque

Alternativas

  1. A)

    é lícito ao Banco Central do Brasil encerrar a liquidação extrajudicial quando houver mudança de objeto social da instituição, ainda que para atividade econômica não integrante do Sistema Financeiro Nacional; o acervo remanescente será restituído aos acionistas que tiverem exercido o controle nos últimos 24 (vinte e quatro) meses anteriores ao ato que decretou a liquidação.

  2. B)

    a liquidação extrajudicial deve ser encerrada pelo Banco Central do Brasil após a verificação do pagamento integral dos credores subordinados; o acervo remanescente deve ser restituído, em rateio, aos acionistas da instituição liquidanda, exceto se houver prioridade para acionistas preferenciais que tiverem essa vantagem assegurada pelo estatuto.

  3. C)

    acatou os argumentos do Banco Central do Brasil quanto à difícil realização do ativo remanescente; o acervo remanescente deve ser restituído ao último sócio controlador ou a qualquer sócio participante do grupo de controle ou, na impossibilidade de ser identificado ou localizado, ao maior acionista.

  4. D)

    a liquidação extrajudicial foi convolada em liquidação ordinária por ter o Banco Central do Brasil acatado o pedido do acionista controlador, após a aprovação por maioria qualificada de 2/3 (dois terços) dos presentes à assembleia geral de credores; o acervo remanescente deve ser restituído, em rateio, aos acionistas da instituição.

  5. E)

    a transferência do controle societário da instituição autoriza o Banco Central do Brasil a encerrar a liquidação extrajudicial, ainda que o novo controlador não integre o Sistema Financeiro Nacional; o acervo remanescente deve ser restituído ao último sócio controlador e, se esse se recusar a recebê-lo, aos acionistas da instituição, em rateio.

Gabarito e comentário

Resposta correta: C

Conforme o art. 19, I, “f” , da Lei nº 6.024/1974, o Banco Central pode encerrar a liquidação extrajudicial diante da iliquidez ou difícil realização do ativo remanescente , reconhecidas pela própria autarquia. Nessa hipótese, o acervo remanescente será restituído: ao último sócio controlador ou a qualquer integrante do grupo de controle; ou se não for possível identificá-los ou localizá-los, ao maior acionista ou cotista da sociedade. É exatamente o conteúdo da alternativa C , conforme o art. 19, § 5º, I, da Lei nº 6.024/1974 . As demais estão incorretas porque: A: não existe a regra dos 24 meses para a restituição do acervo. B: a lei menciona pagamento integral dos credores quirografários , e não dos subordinados. D: a aprovação ocorre por maioria simples dos presentes, não por dois terços. E: o destinatário legal não pode recusar o recebimento do acervo, tornando-se seu depositário.

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